#RockinRio33anos Um dia depois da estreia do Rock in Rio, naquele 11 de janeiro de 1985, os jornais destacavam os pontos mais marcantes da grande festa. No Segundo Caderno, do jornal O Globo, a repórter Lea Penteado narrou a abertura dos portões: "Quando as roletas foram abertas e os primeiros jovens tomando conta do grande gramado, a sensação que se tinha era de que um bando de adolescentes presos em jaulas tinham sido libertados”. Até hoje nossa abertura de portões desperta essa emoção na galera. Confira a matéria completa a seguir: 

"No primeiro dia do festival, o público era o mais heterogêneo possível. Do “brega” aos metaleiros, da família às jovens adolescentes assustadas, dos suíços aos mato-grossenses, ele deu o colorido da festa do rock. Quando as roletas foram abertas e os primeiros jovens tomando do grande gramado, a sensação que se tinha era de que um bando de adolescentes presos em jaulas tinham sido libertados. Corriam, atiravam-se pela grama, davam murros no ar, cambalhotas como se tudo aquilo só fosse durar um dia. 

Aos poucos, já acostumados com o espaço, espalharam-se pelo gramado. Casais de namorados deitados no chão, brancos e pálidos europeus bronzeando-se no sol, senhoras bem comportadas acompanhando as filhas e grupos de jovens metaleiros vestindo camisas pretas com estampas de seus ídolos do “heavy metal”, na grande maioria Iron Maiden e Whitesnake. 

Jovens “displicentemente” vestidos - podia-se notar que tinham passado horas na frente do espelho - combinavam camisa verde fluorescente com bermuda amarelo neon, tênis rosa-shocking e boné azul rei. Tudo padronizado, de acordo com o esquema de ser jovens e entrar no ritmo do rock. Assim estava uma família que veio da Tijuca, os Sampaios. Ele de calças listradas, camiseta do Rock in Rio, boné colorido. Ela de bermudas vermelhas, camiseta com várias cores e óculos escuros. E a filha de 10 anos vestida com todas as cores ácidas existentes nos catálogos de moda. 

Os europeus, encontrados tomando sol no gramado, eram muito mais bem comportados que os brasileiros: poucas cores, muito jeans e tênis branco, eram facilmente identificáveis tanto pela palidez natural quanto pela pouca extravagância de roupas e gestos. Os sul americanos - argentinos, uruguaios, chilenos e paraguaios -, mesmo não usando tantas cores como os brasileiros, abusam dos detalhes de pulseiras com tachas e arrebites. 

Mas o sucesso mesmo fica com a turma do “brega”, jovens de subúrbio, que falam alto, fazem muito alvoroço e dançam no embalo de qualquer música"